Quem eu me tornei? Quem é essa no reflexo do espelho? Por que meus olhos estão tão apagados? A minha imagem no espelho me dizia quem eu havia me tornado de uns tempo pra cá. Descobri que a minha visão de mim mesma era completamente diferente da visão dos outros sobre mim. Nunca me vi como me vi no reflexo do espelho. E não digo pelo aspecto físicos, mas, sim, pelo o que meus olhos diziam e o que eu pensava enquanto me analisava. A cor dos cabelos loiros não mudou nada, os óculos continuam os mesmos retangulares de sempre e a boca continuava apontada para baixo. Sempre foi assim, sempre vai ser. Mas o que eu via em meus olhos e escutei em meus pensamentos nunca havia vistou ou escutado. Olhar perdido, estava tentando me encontrar em meio a tanta diferença. Não olho mais com ternura. Eu sorria com os olhos antigamente, os adorava ver sorrindo. Nunca mais tenho visto. Meu sorriso também costumava ser mais vivo. Não é tão vivo agora. E eu também costumava ser mais “pra cima”. Acontece que desde o tempo que eu era assim até agora, a vida foi me puxando pra baixo. O que não é certo, ela deveria me puxa pra cima, como pondo um sorriso sincero em meu rosto. Mas de nada adianta, continuo com a mesma cara emburrada que eu nasci. Minha mãe já me disse que meu mau humor e essa minha cara emburrada são contagiantes. Quem está do meu lado, pega. O ambiente fica infeliz -essa constatação é minha. O que não me ajuda a melhorar. Estou esperando o momento que darei um sorriso com vontade de sorrir e pensar coisas boas. Tá difícil aqui, tá difícil lá. Tá difícil em todos os lugares. Sinto que tudo na minha vida é programado pra dar errado. E hoje descobri que os tais pequenos detalhes fazem a diferença, até mesmo pra quem tá na merda. E que merda.
Rafaela M. (via no-pares-de-sonar)
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